Márcio André Savi aborda uma questão crítica relacionada ao saneamento básico: embora sensores, inteligência artificial e medidores inteligentes possam aprimorar a operação, não substituem o diagnóstico da rede. A inovação ambiental apresenta resultados quando responde a uma perda, um risco ou uma ineficiência claramente identificados.
O problema se manifesta quando os municípios adquirem ferramentas sem antes definir os parâmetros de medição necessários. Um sistema pode gerar alertas em tempo real, contudo, não especificar quais decisões devem ser tomadas. A falta de uma equipe preparada, de um mapa atualizado e de uma rotina de manutenção resulta no acúmulo de dados sem qualquer melhoria no serviço.
Portanto, a questão mais relevante não é identificar a tecnologia em voga. É necessário identificar a etapa do saneamento que demanda mais atenção. A resposta a este questionamento resulta em diferentes escolhas para o abastecimento de água, a coleta de esgoto, a drenagem urbana e o tratamento. O diagnóstico é realizado antes da plataforma.
Onde a inovação ambiental pode gerar ganho operacional?
A primeira aplicação é geralmente destinada ao controle de perdas. A utilização de medidores, sensores de pressão e sistemas de análise é fundamental para identificar possíveis alterações no comportamento de uma rede, contribuindo para a priorização das inspeções. O valor não está apenas em detectar uma anomalia, mas em reduzir o tempo entre o sinal e o reparo.
Na presente análise, Márcio André Savi aborda a relação entre engenharia e funcionamento da infraestrutura. Em redes extensas, a inovação deve estar alinhada com o cadastro técnico, o histórico de ocorrências e o planejamento de manutenção. Na ausência dessa conexão, a ferramenta registra um evento, porém não fornece explicações sobre sua causa nem orientações para a equipe responsável.

O mesmo princípio se aplica ao esgoto. Sensores de nível e vazão são ferramentas fundamentais para o acompanhamento de estações elevatórias e trechos sujeitos a extravasamentos. A informação possibilita a antecipação de intervenções, desde que haja um protocolo para classificar o alerta, enviar a equipe e registrar o resultado.
Quais tecnologias entram no radar do saneamento?
A escolha deve acompanhar o problema identificado. Em vez de apresentar uma solução universal, o planejamento pode organizar o uso de tecnologias por função:
- Sensores de pressão e vazão: ajudam a acompanhar o comportamento hidráulico e a localizar mudanças que merecem investigação.
- Medidores inteligentes: oferecem leituras frequentes de consumo e apoiam a construção de balanços hídricos mais precisos.
- Sistemas de informação geográfica: relacionam ativos, ocorrências e áreas atendidas, facilitando a priorização de obras e reparos.
- Monitoramento remoto: integra dados de campo e permite acompanhar unidades distantes sem depender apenas de visitas presenciais.
A lista não deve ser considerada um catálogo de compras. Márcio André Savi destaca que cada recurso demanda qualidade de dados, conectividade, segurança da informação e profissionais capazes de interpretar os sinais. A inovação ambiental deve mitigar incertezas, não apenas aumentar a quantidade de telas disponíveis para a gestão.
O que avaliar antes de implantar uma solução?
O primeiro critério a ser considerado é a finalidade. O gestor deve definir os objetivos a serem alcançados. Essas metas podem incluir a diminuição de perdas, o aprimoramento da continuidade do abastecimento, a antecipação de falhas, o controle da qualidade ou a transparência no atendimento. Metas distintas exigem indicadores diferentes, e essa diferenciação torna os projetos mais simples de avaliar.
Posteriormente, é imprescindível verificar a base existente. A ausência de dados completos, a falta de calibração de equipamentos e a fragmentação de séries históricas podem comprometer qualquer análise automatizada. Márcio André Savi contribui para reforçar esse ponto, enfatizando que a inovação deve ser integrada à rotina de engenharia, e não deve atuar de maneira isolada.
Além disso, outros fatores devem ser considerados, como os custos de operação, a capacitação das equipes e a possibilidade de expansão. Uma solução ideal para um bairro pode não ser a melhor opção para uma rede regional. A realização de testes controlados e a implantação por etapas reduzem os riscos e permitem corrigir o projeto antes da ampliação.
O dado se torna o melhor serviço
Por fim, é importante destacar que a tecnologia começa a desempenhar um papel relevante ao influenciar uma decisão concreta. Um alerta que antecipa uma manutenção, uma medição que revela uma perda persistente ou um mapa que organiza prioridades têm valor porque reduzem desperdícios e melhoram a resposta ao cidadão. Na visão de Márcio Andre Savi, a orientação da inovação pelas necessidades reais da operação é um aspecto crucial.
O saneamento básico deve combinar inovação ambiental com governança, manutenção e planejamento. A utilização de uma ferramenta sofisticada não é justificada se a empresa não dispuser de informações confiáveis ou de uma equipe com autonomia para agir. Segundo a avaliação de Márcio Andre Savi, o resultado depende de um processo contínuo de medição, interpretação, decisão e verificação.
