Gol de Gabriel Martinelli no fim do segundo tempo repete um roteiro que a Seleção não vivia desde 2002 e reaquece a discussão sobre o hexacampeonato
A Seleção Brasileira sofreu, ficou atrás no placar, mas buscou a virada nos minutos finais e confirmou a vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. No NRG Stadium, em Houston, o Brasil venceu o Japão por 2 a 1, na segunda-feira (29), em partida da fase de 16 avos de final do Mundial. O time comandado por Carlo Ancelotti havia terminado a primeira fase na liderança do Grupo C, com sete pontos, superando Marrocos, Haiti e Escócia. Agora, a torcida já sabe que o próximo desafio será contra o vencedor de Costa do Marfim e Noruega, confronto que aconteceu na terça-feira (30) e definiu quem enfrentará os brasileiros no domingo (5), às 17h, em Nova Jersey. A vitória também trouxe um dado histórico: fazia 24 anos que o Brasil não revertia um placar desfavorável em jogo de mata-mata de Copa do Mundo.
Como foi a virada sobre o Japão
O jogo começou equilibrado, mas os japoneses conseguiram furar o bloqueio defensivo brasileiro ainda no primeiro tempo. Aos 29 minutos, Danilo errou um passe no meio-campo, Sano interceptou a bola e conduziu o contra-ataque com velocidade, batendo no canto direito do goleiro Alisson para abrir o placar. A Seleção teve dificuldade para furar a marcação adversária na etapa inicial e sentiu o golpe, ficando atrás no placar contra uma equipe organizada e disciplinada taticamente. Vini Jr criou algumas chances pelo lado esquerdo, mas a pontaria brasileira falhou em mais de uma oportunidade antes do intervalo.
No segundo tempo, Ancelotti promoveu uma mudança que se mostrou decisiva: sacou Lucas Paquetá, que sentia dores, e colocou Endrick, dando mais movimento ao ataque brasileiro. Aos 9 minutos, Gabriel Magalhães cruzou da esquerda e Casemiro, de cabeça, empatou a partida após uma atuação irregular na etapa anterior. O gol da virada saiu já nos acréscimos, em uma jogada iniciada por Rayan, que roubou a bola na direita e tocou para Bruno Guimarães. O volante fez um lançamento preciso para Martinelli, que confirmou a classificação brasileira e provocou a explosão da torcida presente no estádio.
O que muda para as oitavas de final
Com a vitória, o Brasil garantiu sequência na competição e aguardava, até a terça-feira (30), a definição de quem enfrentaria nas oitavas de final. O confronto entre Costa do Marfim e Noruega, em Dallas, decidiu esse adversário, e a partida contra a Seleção Brasileira está marcada para domingo (5), às 17h, no horário de Brasília, em Nova Jersey. A expectativa entre torcedores e comentaristas é de que qualquer um dos dois rivais representa um desafio real, seja pela força física do time africano, seja pelo ataque nórdico, que tem Erling Haaland como principal referência.
Esse tipo de indefinição costuma gerar ansiedade entre os torcedores, que já se organizam para acompanhar o próximo compromisso da Seleção. Vale lembrar que essa é a primeira edição da Copa do Mundo com 48 seleções, o que tornou o caminho até a fase de mata-mata mais longo e disputado. O Brasil, que busca o hexacampeonato mundial desde o título conquistado em 2002, precisa manter a régua alta a partir de agora, já que qualquer deslize elimina a equipe da disputa pelo troféu.
Por que essa virada tem peso histórico para a torcida
A reação da Seleção contra o Japão despertou comparações imediatas com outro momento marcante da história recente do futebol brasileiro. A última vez que o Brasil havia revertido um placar em jogo eliminatório de Copa do Mundo foi em 2002, contra a Inglaterra, também por 2 a 1. Na ocasião, Michael Owen abriu o placar para os ingleses, Rivaldo empatou e Ronaldinho Gaúcho, em uma cobrança de falta que surpreendeu o goleiro David Seaman, colocou o Brasil na semifinal daquele Mundial, que terminou com o pentacampeonato.
A coincidência entre os dois episódios alimentou, nas redes sociais, o otimismo em torno de uma nova conquista mundial. Para boa parte da torcida, a capacidade de reverter um resultado adverso em um jogo de eliminação direta funciona como um indicador de caráter coletivo, algo que times campeões costumam demonstrar em momentos de pressão. Resta saber se o time de Ancelotti conseguirá repetir, em 2026, o desfecho que a geração de Ronaldinho e Rivaldo alcançou há mais de duas décadas.
A classificação sobre o Japão manteve viva a expectativa de uma torcida que sonha com o sexto título mundial desde 2002. Agora, a atenção se volta para o confronto de domingo, que vai exigir da Seleção uma versão ainda mais sólida do que a apresentada contra os japoneses, especialmente no primeiro tempo. Ancelotti terá poucos dias para corrigir os problemas de marcação que custaram o gol adversário e ajustar a equipe para o próximo obstáculo rumo às quartas de final.
Fontes: Lance!, Olympics.com, Lance! – retrospecto histórico
