Jogadores se reuniram com o presidente Samir Xaud dias depois da derrota para a Noruega e defenderam a permanência do técnico italiano no comando.
A eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026 deixou uma dúvida no ar entre os torcedores: o que muda no comando da Seleção depois de mais uma queda precoce em um Mundial? A resposta começou a ganhar contorno nos dias seguintes à derrota para a Noruega, quando jogadores se reuniram com o presidente da CBF, Samir Xaud, para tratar dos rumos da equipe. Segundo apuração da CNN Brasil, o encontro girou em torno de um pedido direto dos atletas sobre a continuidade de Carlo Ancelotti no cargo. O treinador italiano, contratado em 2024 e com contrato renovado até 2030, já havia sinalizado publicamente a vontade de seguir à frente do Brasil no próximo ciclo. Entender o que aconteceu dentro e fora de campo ajuda a explicar por que a entidade caminha para manter o comando técnico como está.
Como foi a derrota que selou a eliminação
A Seleção Brasileira se despediu da Copa do Mundo de 2026 logo nas oitavas de final, batida por 2 a 1 pela Noruega no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Erling Haaland foi o nome da partida: fez os dois gols dos noruegueses, aos 34 e aos 44 minutos do segundo tempo, um de cabeça após cruzamento e outro em chute cruzado depois de receber com espaço na entrada da área. Neymar ainda descontou nos acréscimos, cobrando um pênalti, mas não foi suficiente para evitar a queda brasileira. No primeiro tempo, o Brasil havia desperdiçado uma cobrança de pênalti com Bruno Guimarães, defendida pelo goleiro Nyland, que teve atuação decisiva para os noruegueses.
O resultado provocou um raro momento de reflexão coletiva na delegação. Segundo relatos publicados pela CNN Brasil, Ancelotti reuniu o grupo no vestiário após a partida e pediu resiliência aos jogadores, tratando a derrota como ponto de partida para um novo ciclo, e não como um fim. A campanha, considerada a pior do Brasil em Copas desde 1990, ampliou o já longo jejum de títulos da equipe, que soma 24 anos sem erguer a taça desde o pentacampeonato de 2002.
O pedido dos jogadores e a resposta da CBF
De acordo com a reportagem da CNN Brasil, os líderes do elenco levaram a Samir Xaud uma avaliação sobre o ciclo conturbado que antecedeu o Mundial, marcado por quatro treinadores diferentes e duas trocas na presidência da CBF em poucos anos. Para os atletas, essa instabilidade institucional teria pesado tanto quanto os problemas táticos discutidos publicamente após a eliminação. O recado dos jogadores foi direto: eles defendem a manutenção de Ancelotti como forma de dar continuidade a um projeto de longo prazo, evitando repetir o padrão de trocas recorrentes no comando técnico.
Do lado da CBF, os sinais também apontam para a permanência do italiano. Ancelotti tem contrato válido até 2030 e, em entrevistas concedidas antes da eliminação, já havia se colocado à disposição da entidade para seguir no cargo até o próximo Mundial. Após o jogo contra a Noruega, o técnico reforçou o discurso em entrevista coletiva, afirmando que a tristeza do momento não muda a avaliação de que o trabalho segue em construção. A combinação entre o pedido dos jogadores e a postura pública do treinador reduz a expectativa de uma ruptura imediata no comando da Seleção.
O que vem pela frente para a Seleção
O primeiro compromisso da Seleção após a Copa está previsto para o início de setembro, quando a CBF poderá convocar o grupo para uma data Fifa de quase 20 dias, com espaço para a realização de três a quatro amistosos. Esse período deve ser usado por Ancelotti para iniciar a reconstrução do time, testando nomes que ainda não tiveram sequência na equipe principal e avaliando jogadores que atuaram na Copa em condições físicas ou técnicas abaixo do esperado.
Fora de campo, a eliminação reacendeu um debate mais amplo sobre os rumos do futebol brasileiro, incluindo a formação de jogadores, a saída cada vez mais precoce de talentos para o exterior e a necessidade de modernização da estrutura da CBF. Analistas ouvidos por veículos esportivos apontam que, independentemente da permanência do treinador, o país precisa decidir que caminho pretende seguir para voltar a brigar pelo título mundial como favorito, e não apenas como participante histórico do torneio.
Para o torcedor, a mensagem que fica é de continuidade, ao menos no curto prazo. A CBF optou por não promover uma ruptura imediata após a pior campanha do Brasil em Copas desde 1990, apostando na experiência de Ancelotti para conduzir o próximo ciclo. Resta saber se essa escolha vai se traduzir em resultados diferentes daqui a quatro anos, ou se o Brasil seguirá adiando o encontro com o hexacampeonato.
Fontes:
- CNN Brasil: https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/futebol/selecao-brasileira/em-carta-a-cbf-jogadores-da-selecao-fazem-pedido-sobre-carlo-ancelotti/
- CNN Brasil: https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/futebol/selecao-brasileira/apos-eliminacao-ancelotti-diz-que-segue-na-selecao-inicio-de-novo-ciclo/
- CNN Brasil: https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/futebol/copa-do-mundo/brasil-e-eliminado-da-copa-pela-noruega-e-chega-a-maior-jejum-sem-titulos/
