Aos 19 anos, o atacante do Bournemouth se firmou como titular após lesão de Raphinha e se tornou um dos assuntos mais comentados do Mundial
Poucos jogadores conseguem entrar em uma Copa do Mundo como reserva e sair dela como um dos nomes mais lembrados da competição. É o caso de Rayan, atacante de 19 anos que ganhou espaço na Seleção Brasileira depois que Raphinha sofreu uma lesão na coxa ainda no primeiro tempo contra o Haiti. Desde então, o jovem vem acumulando marcas históricas: foi titular contra a Escócia, ajudou a criar o primeiro gol brasileiro naquela partida e, na vitória sobre o Japão pelas oitavas de 16 avos, participou diretamente do lance que garantiu a classificação. Uma foto sua comemorando o resultado viralizou nas redes sociais e passou a ser comparada a um dos registros mais icônicos do futebol brasileiro, a celebração de Pelé no Mundial de 1970.
A ascensão rápida de um jovem promissor
A trajetória de Rayan na Copa do Mundo de 2026 ilustra bem como uma lesão inesperada pode abrir espaço para uma nova estrela. Contra a Escócia, ainda na fase de grupos, ele roubou a bola de um zagueiro adversário e deu o passe para Vini Jr marcar, aos sete minutos de jogo. Com essa assistência, tornou-se o jogador mais jovem da Seleção Brasileira a distribuir um passe para gol em uma Copa do Mundo desde Pelé, em 1958. O feito, por si só, já bastaria para chamar atenção, mas veio acompanhado de outro dado relevante: ao ser titular diante do Japão, Rayan se tornou apenas o sexto atleta com menos de 20 anos a começar uma partida de Mundial pela Seleção, e o primeiro desde o lateral Marco Antônio, em 1970.
Antes do duelo contra os japoneses, o próprio atacante demonstrou humildade ao ser questionado por um jornalista da televisão pública do Japão sobre quem seria o melhor jogador da equipe adversária. Rayan admitiu, com um sorriso, que ainda precisava assistir a vídeos para responder com propriedade. A resposta espontânea reforçou a imagem de um jogador que, apesar do destaque repentino, mantém os pés no chão diante da exposição de uma Copa do Mundo. Ele também comentou as orientações táticas recebidas de Carlo Ancelotti, destacando que a marcação da equipe começa pelos próprios atacantes, independentemente do cansaço acumulado ao longo da partida.
O lance que decidiu o duelo contra o Japão
No jogo das oitavas de 16 avos, já nos minutos finais e com o placar igualado em 1 a 1, Rayan protagonizou a jogada que definiu a classificação brasileira. Ele roubou a bola pelo lado direito do ataque, em um momento de pressão alta sobre a defesa japonesa, e tocou para Bruno Guimarães. O volante, por sua vez, fez um lançamento preciso para Gabriel Martinelli, que confirmou a virada e mandou o Brasil para as oitavas de final da competição. A sequência, rápida e decisiva, resumiu bem o tipo de contribuição que o jovem atacante vem oferecendo à equipe: participação direta em jogadas de gol, mesmo sem balançar as redes ele próprio.
Depois da partida, Rayan afirmou ter evoluído bastante na parte defensiva ao longo da temporada, um ponto que Ancelotti costuma cobrar de todo o setor ofensivo. Segundo o atacante, a exigência é clara: defender primeiro, para depois pensar em atacar. Essa mentalidade, somada à sequência invicta que ele mantém em 2026 (21 partidas sem derrotas, somando Bournemouth, Seleção e Vasco), ajuda a explicar por que o técnico italiano optou por mantê-lo entre os titulares mesmo com Raphinha se recuperando da lesão muscular.
A foto que dividiu espaço com a história de Pelé
Depois do apito final contra o Japão, o fotógrafo da CBF Rafael Ribeiro registrou Rayan em um momento de pura emoção: apoiado em companheiros de equipe, o atacante ergueu o punho em direção à torcida, distante do restante do grupo e cercado por fotógrafos junto às placas de publicidade. A imagem circulou rapidamente pelas redes sociais e foi descrita por torcedores como impactante. A comparação com uma fotografia histórica de Pelé, registrada no Mundial de 1970 no Estádio Azteca, não demorou a surgir, alimentando a nostalgia de quem acompanha a Seleção há décadas.
A repercussão em torno da imagem também reforçou algo que vai além do resultado da partida: o surgimento de uma nova geração capaz de assumir protagonismo em momentos de pressão máxima. Comentaristas destacaram que registros desse tipo carregam peso simbólico no imaginário do torcedor brasileiro, remetendo a períodos de grande sucesso da Seleção em Copas do Mundo. Para Rayan, que ainda não tem prazo definido para deixar de ser titular improvisado, a comparação funciona como um estímulo extra na busca por consolidar espaço em uma equipe que sonha com o hexacampeonato.
Fontes: Lance!, Investing.com/Reuters, Diário do Centro do Mundo
